CPI tem novos depoimentos e já tem melhoria no controle dos transportes da Prefeitura

Nesta quinta feira aconteceu mais um sessão plenária da CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara de Vereadores de Leopoldina que está analisando o setor de transportes da prefeitura, desde o abastecimento, até o controle, manutenção e outros assuntos correlatos.

Neste dia tivemos os depoimentos de mais três motoristas e as perguntas similares foi feita a todos, o primeiro foi José Sérgio Furtado Fajardo que fez uma participação rápida, mas confirmou que não havia nenhum controle efetivo na frota de veículos e que o seu atual veículo está com o hodômetro com defeito e pela sua ansiedade não acrescentou muita coisa, apenas confirmou o que já é de conhecimento dos vereadores que os chefes diretos eram alertados de problemas nos veículos e não havia a devida manutenção.

O segundo a falar foi Danilo Assis da Silva que acrescentou na suas palavras que o seu veículo por ser painel digital o mesmo está com problemas de marcação de quilometragem e há inclusive falhas no ligar e desligar o veículo, segundo ele há marcações errôneas no registro, que já levou até a manutenção e foi orientado que para arrumar é preciso trocar todo o painel. Disse que nos primeiros meses, bem como antes não havia marcações de dados nas requisições de abastecimento, sendo que havia a assinatura do motorista, do chefe do setor Ligério Luciano e não tinha quilometragem ao abastecer, sendo que após o abastecimento o posto dava o cupom que era anexado à requisição para efeito de controle dos gastos dos combustíveis. Falou que ele mesmo desde quando entrou já havia feito avisos ao responsável pelo setor de problemas nos veículos, hodômetro e até mesmo do velocímetro com defeito e explicou que para fazer a manutenção há o preenchimento de OS (Ordem de Serviços) e que ao observar que o veículo tem algum problema a mesma é feita e o motorista algumas vezes vai à oficina, faz o orçamento e volta para ser autorizada pela secretaria responsável. Narrou que além de fazer os transportes de alunos, vária vez já fez transporte de eletricistas, bombeiros, pessoal que trabalha nos serviços urbanos, atletas, times e muito mais e de até supervisoras educacionais, não só na cidade, mas também na zona rural. Disse que após a instauração da auditoria interna e da denuncia na câmara houve uma diminuição nesses transportes e que agora o chefe do setor ao fazer a requisição lê a quilometragem e coloca na mesma, mas há veículos com hodômetro quebrado ainda.

O último a falar dói Rodrigo de Souza Amaral, que praticamente confirmou os dois depoimentos anteriores e narrou que durante seu período de fevereiro a junho, trabalhou com dois veículos, sendo que o primeiro era uma Kombi i e que na época o hodômetro não estava funcionando e ele, na presença do seu superior direto fez a troca do fusível e o mesmo voltou a marcar, lembrando que o painel é eletrônico e hoje ele dirige um Van. Narrou que realmente há o transportes de profissionais diversos para efetuar serviços, principalmente de Kombi, pois é um veículo mais fácil para isso e que atualmente os profissionais eletricistas, bombeiros e outros são levados as escolas para manutenção quando necessário O mesmo acrescentou que a manutenção maior dos veículos é feita nas férias, em dezembro e janeiro e que quando o veículo coloca em risco ao motorista ou aos alunos há a manutenção do problema. Disse ainda que algumas vezes os serviços de manutenção não foram realizados pela empresa autorizada por falta ou atraso nos pagamentos por parte da prefeitura. O mesmo ao ser perguntado se quando o motorista abastece o veículo e houver o enchimento de um galão de dois ou cinco litros, fora o que foi colocado no tanque se a chefia poderia ter conhecimento, ele disse que desconhece a prática nesse sentido, mas acredita que se acontecer não há como através da nota ser notado. O mesmo reafirmou que no seu caso algumas vezes ele fez por escrito, em uma única via, pedidos de manutenção e tanto o atual chefe de transportes, Luciano, quanto o anterior Geraldo Cevidanes, tinham conhecimento dos defeitos principalmente nos hodômetros dos veículos.

O presidente da CPI ao encerrar a reunião de quinta comunicou em público que os membros da mesma haviam avisado ao prefeito e ao setor de transportes que na sexta feira iriam acompanhar a rota da Kombi escolar que apareceu no vídeo feito pela prefeitura e publicado na imprensa local, demonstrando o trajeto e quantos quilômetros eram rodados diariamente, mas que naquela data o senhor João Vieira Aleixo avisou que o seu veículo, no caso a Kombi estava com problemas e que a CPI remarcasse o acompanhamento, mas o presidente da CPI reafirmou que os mesmo iriam acompanhar, pois independente de ser a Kombi normal, algum veículo teria que fazer a rota.

Ao final o que ficou evidente nos três depoimentos é que antes das denuncias feitas em junho havia sim um total descontrole de frota na prefeitura, nos bastidores os motoristas em conversa extra-oficial me relataram que após a diminuição de horas extras de 60 para quarenta horas, há problemas em algumas rotas e há sobrecarga em alguns motoristas, pois muitas vezes os motoristas terminam suas respectivas rotas e vai mesmo com atraso atender outros alunos que ficaram sem o transporte. Um dos motoristas até disse que não participou do movimento de paralisação da classe, pois sabe que em temos de vacas gordas podia se pagar e hoje a falta de recursos faz com que não se pague tanta hora extra. Nos depoimentos ficaram claro que os veículos são utilizados na secretaria de esportes e cultura para transportes de times de futebol, modalidades esportivas e outras situação, o que na realidade na lei é totalmente proibido para os veículos adquiridos com recursos para o transporte escolar. Foi narrado que houve viagens até para fora do estado para transporte de alunos e não alunos no período investigado.

Uma boa noticia é que o controle de gastos melhorou com a anotação, que já deveria existir de quilometragem nas requisições e segundo um dos motoristas que conversei a prática de descontrole é antiga, até teve uma época que as anotações de quilometragem eram feitas, mas depois parou, ou seja, o problema não é de agora é de anos e de vários mandatos. Um dos motoristas até disse que a mudança de mentalidade no serviço público é muito difícil pelos vícios existentes e até elogiou o ex chefe de transportes, Geraldo Cevidanes, ao qual eu comentei que poderia ter feito um controle melhor devido a ter sido um gerente de empresa de ônibus e tinha experiência no setor privado de controle total de frotas e o motorista disse que ele melhorou alguns setores sim, principalmente no caso de pneus e outros acessórios, pois antigamente, um pneu novo chegava e sumia num passe de mágica, pois os veículos ao irem ao almoxarifado pedir para trocar os pneus carecas, os novos já tinham sido usados e ninguém sabia em qual veículo na época.

Na realidade ficaram evidente duas coisas a prioridade na regularização do hodômetro não era feita e muitas vezes diziam deixa para mais tarde e se havia manutenção rotineira como dizia o vídeo institucional feito pela prefeitura não se entende o porquê não ter havido o conserto. Inclusive um motorista disse que levou recentemente o seu veículo para arrumar um vazamento de água no motor e depois ao andar notou que havia algo de errado e era uma correia que foi esquecida dentro do motor e que causou a paralisação ou o barulho estranho. Um dos motoristas disse que o velocímetro não funcionava em seu veículo e foi lhe perguntado isso não colocaria em risco as crianças e o próprio motorista, pois não havia sequer o controle de velocidade e ele disse que não via esse risco, outra pergunta feita como se controla a quilometragem para a troca de óleo, para revisões que são exigidas em tempos em tempos nos veículos se o hodômetro não funciona e lhe foi dito que foi por cálculos manuais, ou seja, suposições de quilômetros rodados. Outro ponto se não há marcação no hodômetro e o veículo não rodar ou começar a rodar e matar algum local ou desviar para outro local não se teria essa informação, pelo menos em termos de quilometragem.

Na realidade a CPI já causou algumas mudanças, bem como a auditoria interna instalada e quem irá ganhar é a prefeitura de modo geral, pois com certeza haverá diminuição de gastos.

Ficou evidente que a empresa que faz manutenção nos veículos deverá ser ouvida para explicar o porquê de não haver manutenção em alguns equipamentos, o posto para explicar o número de galões preenchidos extra tanque (vale ressaltar que há alguns casos de veículos ou equipamentos que estão em trabalho fora da sede do município e precisam repor o combustível para continuarem o trabalho como: tratores, motosserras e outros equipamentos).

No final há muitas coisas ainda a serem esclarecidas como o caso do depoimento do David Menezes que disse que em período recente houve deletação de alguns lançamentos no caso dos galões de óleo e ao quais os vereadores não perguntaram na época quais lançamentos foi deletado e o por que.  Inclusive falando em David que está sofrendo um processo administrativo, alguns motoristas e funcionários da prefeitura, que inclusive serão testemunhas de defesa do mesmo na investigação, ressaltaram a sua competência e seriedade e que ele apenas está sofrendo um processo porque num momento de pressão, rodeado de pessoas atrás de sua mesa, ele se dirigiu a um superior e disse, não com essas palavras, mas mais ou menos o seguinte: eu sou concursado e o tempo passa e eu fico e compensação você (se dirigindo a um cargo de confiança) você sairá e o superior em questão não gostou e achou um absurdo esse comentário e fez queixa contra ele, não batendo no que ele falou no depoimento que o motivo é que ele pediu para não ser chamado de meu filho e sim pelo seu nome como forma de respeito. Mas no processo administrativo um dos que irão depor disse que presenciaram o fato e que na realidade o clima tenso fez com que ele tivesse essa atitude naquele momento de explosão.

A CPI já marcou novos depoimentos para a próxima semana, mas não tenho os nomes dos que serão ouvidos e com certeza deverá ter alguns pontos importantes no relatório final visando à melhoria no controle do setor.

 


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