Um desabafo

Vivemos na cidade das maravilhas tudo são flores: não há perseguições políticas, não há os capachos de autoridades, não há lobos vestidos em pele de cordeiro, não há problemas na saúde, na educação, na limpeza pública.

Afinal isso é Leopoldina, onde vale mais a aparência do que a realidade vale mais a propaganda paga do que a realidade vale mais o interesse pessoal do que o coletivo vale mais o discurso falso com lágrimas de crocodilo, afinal aqui o jogo de cena é o principal espetáculo.

Numa cidade que usa tapa olhos ou só enxerga o que deseja ver não se pode esperar muito. Acho que todos os lugares são parecidos, mas falo daqui porque estou aqui.

As pessoas vivem um mundo individualista, onde o interesse próprio às vezes sobrepõe o coletivo, quando vemos os escândalos nacionais ficamos de boca aberta e falamos: não é possível que isso esteja acontecendo. Mas se observarmos a nossa volta poderá ver que Leopoldina é o Brasil em miniatura, os casos nacionais, os vexames nacionais acontecem debaixo de nossos olhos, é claro em proporções menores, mas com a mesma gravidade, é claro nem todos se encaixam na cidade, mas alguns parecidos, basta se olhar atentamente os fatos e deixar a paixão de lado.

Há poucos dias, por ter publicado uma matéria em fevereiro, na qual uma carta anônima para o público, mas da qual a fonte não foi revelada, um caso aconteceu com pessoas ligadas a mim. Uma suposta autoridade “cargo de confiança” chegou à pessoa e disse você não é bem vinda aqui e por que fez um suposto vídeo e espalhou para outras pessoas. Com isso por determinação do próprio local a pessoa ligada a mim ficou sem voltar ao local e aguardamos a realidade: cadê o vídeo e a confirmação dos fatos. Supostamente o tal vídeo algo errado no local, mas o mesmo nunca apareceu e pasmem, um dia após eu publicar uma matéria dizendo que estava aguardando para entrar na justiça para esclarecer algumas perseguições políticas, a pessoa recebe um telefonema e dizem foi um mal entendido descobriu-se que não foi você que fez o vídeo (o que já era verdade há muito tempo, pois o suposto vídeo rodou no local duas semanas antes da chegada da pessoa no local). Mas é assim que funcionam nos bastidores, as pessoas fingem serem as boazinhas, as corretas, mas coloca seus capachos para fazer o serviço sujo. O pior é que tem pessoas que aceitam tal papel de “capacho”, não sei se por conveniência, por caráter ou por sei lá o que.

Em Leopoldina se a pessoa faz críticas é inimigo, é adversário e a população que paga o pato. A cidade é aquela velha história só sente as coisas quando acontece com elas, fingem não ver a realidade que está à frente de seus olhos.

As pessoas tem um valor pessoal dos fatos, as pessoas olham para o ângulo que desejam para o próprio umbigo. Há aqueles que são adorados, quando no poder, mas odiados quando fora do puder. Há pessoas que com o passar do tempo mudaram e não sei como conseguem se olhar perante a sua imagem no espelho, são infelizes consigo mesmo, mas ainda não caíram na realidade. Há pessoas que não olham a sua volta e veem que o poder e o dinheiro são passageiros e que no final todos terminaram na cova e a sete palmos da terra, há quem diga que a vida não termina ai, há quem conteste, mas a realidade é que acredito que o verdadeiro purgatório é aqui, pagamos através de nós mesmos ou de pessoas as quais sentimos alguns sentimentos (se bem que há aqueles que não têm nem amor próprio quem dirá pelos outros).

A realidade é que ou LEOPOLDINA muda ou ficaremos o resto da vida a mercê de chicotes, lambadas, na era da escravidão (não real, mas psicológica). Sei que serei criticado, o que já se tornou normal, pois quem tem opinião, coragem e acima de tudo caráter nessa cidade é chamado de louco ou irracional. Sei que não ganho nada com isso, por isso como dizem estou fora o mercado do trabalho, pois caráter não se compra ou vende, vem de berço. Sou do tempo que me ensinaram duas coisas: não faça aquilo que não queira que façam com você e sempre respeite o que é dos outros, seja honesto, porque é a sua obrigação.

Infelizmente já passei por vários setores, errei e erro sempre, não sou o dono da verdade, a minha verdade não é a dos outros, a minha visão não é a dos outros. Se estou onde estou é por merecimento, por ter agido com correção, honestidade e ser autêntico.

Hoje colho o que plantei, já ouvi várias vezes termos como: quem roubou, roubou, quem não roubou não rouba mais; você é honesto demais para trabalhar com a gente; invente despesas para utilizar o dinheiro que sobra; se hoje posso chegar aonde cheguei foi porque você fez a minha prestação de contas corretamente; você é muito bom e competente não posso te pagar o que merece e muito mais; ao invés de ficar desempregado mande seu currículo para tal lugar (em voz alta em público, mas a resposta foi imediata já mandei se não fui selecionado é outra coisa).

Não sei até quando conseguirei me manter de pé, mas se cair cai com a consciência tranquila de poder deitar no travesseiro e pensar, fiz o meu melhor.

A única coisa que me arrependo realmente é me colocar no lugar dos outros, sentir suas dificuldades dos outros é não conseguir me calar e mudar, ser mais flexível ou fechar os olhos aos fatos. E realmente não ter preço…

 


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